ACM NETO ENCOSTA RUI COSTA E JAQUES WAGNER NA PAREDE E COBRA EXPLICAÇÕES SOBRE FORTUNAS MILIONÁRIAS
Ex-prefeito de Salvador reage à cobrança de abertura de sigilos, acusa petistas de “jogo de cena” e coloca patrimônio, respiradores da pandemia e transparência pública no centro do embate político baiano.
Salvador (BA) — 21 de outubro de 2026
O confronto político na Bahia ganhou novos contornos depois que ACM Neto, vice-presidente nacional do União Brasil e ex-prefeito de Salvador, desafiou o governador Jerônimo Rodrigues, o ex-governador e ex-ministro Rui Costa e o senador Jaques Wagner, todos do PT, a abrirem seus sigilos e prestarem esclarecimentos sobre a evolução de seus patrimônios.
A reação de Neto veio após Rui Costa e Jerônimo Rodrigues publicarem um vídeo cobrando que o dirigente do União Brasil disponibilizasse informações financeiras e telefônicas. Em resposta, ACM afirmou que seus próprios sigilos já teriam sido quebrados e classificou a iniciativa dos adversários como um possível “jogo de cena”.
A estratégia do ex-prefeito foi direta: em vez de apenas responder às cobranças, ele ampliou o confronto e passou a exigir explicações dos principais nomes do grupo petista que governa a Bahia há anos.
“Como essa turma ficou multimilionária apenas com o salário de servidor público?”, questionou Neto, em declaração reproduzida pelo jornal Correio.
RUI COSTA VOLTA AO CENTRO DO CASO DOS RESPIRADORES
Um dos principais pontos levantados por ACM Neto é a compra de 300 respiradores pulmonares durante a pandemia de Covid-19, por meio do Consórcio Nordeste. O contrato previa o pagamento de aproximadamente R$ 48,7 milhões, mas os equipamentos não foram entregues.
O episódio voltou ao centro do debate após uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado da Bahia (TCE-BA), divulgada em julho de 2026, apontar falhas administrativas na contratação e recomendar a rejeição das contas de Rui Costa relacionadas à gestão do consórcio em 2020.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o relatório apontou problemas na avaliação dos riscos, nas condições contratuais e nos procedimentos que antecederam o pagamento. O processo ainda depende de deliberações das instâncias competentes.
O caso também é objeto de apurações da Polícia Federal e do Superior Tribunal de Justiça. É importante destacar que apontamentos de auditoria e investigações não equivalem, por si só, a uma condenação criminal.
A cobrança de ACM Neto, portanto, se apoia em um episódio documentado de grande repercussão pública. O que o ex-prefeito exige é que Rui Costa esclareça sua atuação no caso e responda às questões levantadas sobre seu patrimônio pessoal.
PATRIMÔNIO DE JAQUES WAGNER TAMBÉM ENTRA NA DISPUTA
O senador Jaques Wagner foi outro alvo das declarações de ACM Neto.
Dados divulgados pela CNN Brasil em agosto de 2026 mostram que Wagner declarou à Justiça Eleitoral possuir R$ 3,3 milhões em bens em 2018 e R$ 24,5 milhões em 2026. A diferença representa um crescimento nominal de aproximadamente 631% no patrimônio declarado.
A reportagem também informou que parte significativa da evolução patrimonial está associada à venda de um terreno por R$ 13,8 milhões, além do aumento dos valores registrados em aplicações financeiras.
A Polícia Federal encontrou US$ 65 mil e € 39 mil em endereços relacionados ao senador durante uma operação realizada em junho de 2026, segundo a mesma publicação. O caso está inserido em uma investigação envolvendo o Banco Master.
Esses dados, por si sós, não comprovam irregularidade patrimonial. Entretanto, a evolução dos bens declarados e as circunstâncias investigadas ampliam a pressão pública por esclarecimentos.
Para ACM Neto, a questão central é a transparência: se os adversários cobram a abertura de informações financeiras de um concorrente político, também precisam estar preparados para responder a questionamentos sobre os próprios bens e rendimentos.
JERÔNIMO É COBRADO SOBRE INVESTIGAÇÃO ENVOLVENDO SECRETÁRIO
O governador Jerônimo Rodrigues também foi incluído no contra-ataque de ACM Neto.
O ex-prefeito cobrou explicações sobre uma investigação da Polícia Federal envolvendo o secretário estadual do Meio Ambiente, Eduardo Sodré, suspeito de recebimento de vantagens indevidas, conforme noticiado pelo Correio.
Neto questionou a postura do governador diante do episódio e afirmou que a exigência de transparência não pode ser aplicada somente aos adversários.
O ponto político levantado pelo dirigente do União Brasil é a responsabilidade de quem ocupa cargos públicos de liderança: diante de suspeitas envolvendo integrantes de uma administração, a sociedade espera informações claras sobre as providências adotadas.
A existência de uma investigação, contudo, não significa que o investigado tenha sido considerado culpado. As responsabilidades devem ser apuradas pelas autoridades competentes.
A ESTRATÉGIA DE ACM NETO: TRANSFORMAR A COBRANÇA EM PRESSÃO POLÍTICA
Ao desafiar simultaneamente Rui Costa, Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues, ACM Neto tenta inverter a dinâmica do confronto.
Em vez de permanecer na posição de alvo das cobranças do PT, o ex-prefeito passa a questionar o histórico administrativo dos adversários e a exigir explicações sobre assuntos que já provocaram repercussão pública.
O movimento tem potencial para ampliar o debate sobre transparência patrimonial, prestação de contas e responsabilidade na gestão pública, temas especialmente sensíveis em um ambiente político marcado pela disputa eleitoral.
A cobrança também cria um desafio de comunicação para o grupo petista: responder de maneira objetiva aos questionamentos, apresentar informações verificáveis e separar as críticas políticas dos fatos que estão sob análise dos órgãos de controle.
Ao mesmo tempo, a própria situação de ACM Neto exige que o debate seja conduzido com critérios iguais para todos os envolvidos. Reportagens recentes também trouxeram questionamentos sobre relações políticas e operações financeiras ligadas ao Banco Master, envolvendo o dirigente do União Brasil e aliados. Neto nega irregularidades, e as alegações precisam ser examinadas à luz das investigações e das respostas dos citados.
O QUE ESTÁ EM JOGO NA BAHIA
A disputa vai além de uma troca de acusações entre lideranças. O episódio coloca em evidência uma pergunta que interessa diretamente ao contribuinte: como os agentes públicos e políticos explicam a origem, a evolução e a declaração de seus patrimônios?
A abertura de sigilos não é uma obrigação automática decorrente de uma provocação política, e eventuais medidas dependem das regras legais aplicáveis ou da decisão voluntária dos envolvidos. Ainda assim, a cobrança pública por transparência pode ser legítima quando acompanhada de fatos verificáveis e do respeito ao direito de defesa.
ACM Neto elevou o tom e colocou Rui Costa, Jaques Wagner e Jerônimo Rodrigues diante de uma cobrança política explícita. Agora, o centro da discussão está nas explicações que cada um poderá apresentar, nos documentos disponíveis e no andamento das apurações oficiais.
No fim, a credibilidade de qualquer liderança não será definida apenas pela força das declarações, mas pela capacidade de apresentar respostas consistentes, demonstrar a regularidade de seus atos e prestar contas à população baiana.
Porque transparência pública não deve ser uma exigência seletiva: precisa valer para todos.

