Candidata do PSD aposta na experiência em políticas sociais e na articulação regional construída ao lado do prefeito de Itabuna
A eleição de 2026 para a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) colocou o nome de Andréa Castro no centro das articulações políticas do Sul da Bahia. Natural de Itabuna, advogada e ex-secretária municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza, Andréa disputa uma cadeira pelo PSD, com o número 55.670, e tem como um dos principais pilares de sua campanha a trajetória política construída em Itabuna e a articulação de seu marido, o prefeito Augusto Castro.
A candidatura foi oficializada pelo PSD em julho de 2026 e, segundo dados eleitorais publicados com base no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), encontra-se deferida.
O movimento em torno do nome de Andréa começou a ganhar visibilidade ainda antes da oficialização da candidatura. Em 2025, veículos políticos baianos já apontavam a primeira-dama de Itabuna como uma das possíveis candidatas com potencial de disputar uma das 63 cadeiras da Assembleia. O Política Livre registrou, naquele momento, a articulação de lideranças políticas e comunitárias em torno de seu nome.
Experiência na área social
Um dos principais argumentos apresentados pela candidata é sua experiência na administração pública. Andréa comandou a Secretaria Municipal de Promoção Social e Combate à Pobreza de Itabuna entre 2021 e 2023.
De acordo com informações divulgadas pela própria candidata, sua passagem pela secretaria esteve relacionada a iniciativas de assistência social, segurança alimentar e proteção às famílias em situação de vulnerabilidade, incluindo programas como Auxílio Emergencial Municipal, Auxílio Recomeço, Blitz Social e Social nos Bairros.
Na campanha de 2026, Andréa tem levado essa experiência para uma agenda mais ampla, defendendo pautas como proteção às mulheres, inclusão de pessoas com deficiência, atenção às mães atípicas, saúde regionalizada, emprego e renda, agricultura familiar e desenvolvimento econômico do Sul da Bahia.
A força política de Augusto Castro
O projeto eleitoral de Andréa também está diretamente ligado à trajetória de Augusto Castro.
Reeleito prefeito de Itabuna em 2024 com 65.329 votos, correspondentes a 58,95% dos votos válidos, Augusto Castro consolidou seu segundo mandato à frente do município.
Antes de chegar novamente à Prefeitura, Augusto já havia construído uma trajetória na política estadual: foi deputado estadual por dois mandatos, entre 2011 e 2019. A própria Assembleia Legislativa registra sua atuação em comissões relacionadas a infraestrutura, desenvolvimento econômico, saúde, saneamento, Porto Sul e Ferrovia de Integração Oeste-Leste.
Esse histórico ajuda a explicar a dimensão regional que Augusto procura imprimir à candidatura da esposa.
Em março de 2025, A TARDE informou que o governador Jerônimo Rodrigues apoiaria a candidatura de Andréa e destacou a articulação política conduzida por Augusto. Meses depois, o Política Livre também registrou o crescimento da pré-candidatura e a aproximação de lideranças políticas e comunitárias.
Uma gestão municipal que serve de plataforma política
Outro componente da candidatura é a administração de Augusto Castro em Itabuna.
Durante o segundo mandato, a Prefeitura destaca investimentos em áreas como saúde, saneamento, educação e infraestrutura. Entre as ações está o Novo Hospital de Base, entregue em parceria com o Governo do Estado, com atendimento pelo SUS para pacientes de aproximadamente 120 municípios, além da ampliação do Hospital São Lucas.
Na área de saneamento, o projeto Mais Água recebeu investimentos e avançou para novas etapas. A Prefeitura também anunciou recursos superiores a R$ 31 milhões do Novo PAC para obras de drenagem urbana e contenção de encostas em Itabuna.
O município também vem buscando ampliar sua infraestrutura logística. Entre as prioridades anunciadas por Augusto Castro estão um novo aeroporto regional, uma nova ponte sobre o Rio Cachoeira, intervenções viárias e novas etapas do projeto Mais Água.
Esse conjunto de obras e projetos passou a integrar o discurso político do grupo que apoia Andréa, que apresenta a candidatura como uma tentativa de ampliar para o âmbito estadual a representação dos interesses de Itabuna e do Sul da Bahia.
Mobilização regional
A campanha oficial de Andréa Castro também já apresentou sinais de mobilização política em Itabuna. O lançamento da candidatura, realizado em agosto, reuniu, segundo a própria campanha, mais de 8 mil pessoas e contou com a presença de Augusto Castro, do deputado federal Paulo Magalhães, do vice-prefeito Júnior Brandão e do reitor da UESC, Alessandro Fernandes.
A candidata também vem realizando agendas nos bairros de Itabuna e em municípios da região. A estratégia apresentada por sua campanha é combinar a experiência na área social com uma agenda municipalista, buscando aproximar a candidatura das demandas dos municípios.
Um projeto que ultrapassa Itabuna
A proposta apresentada por Andréa é ampliar a discussão sobre desenvolvimento regional. Entre as bandeiras anunciadas estão a criação de uma Região Metropolitana do Sul da Bahia, um Polo Logístico em Itabuna, integração com o Porto Sul e a FIOL, fortalecimento da cadeia produtiva do cacau e investimentos em saúde regional.
A candidatura, portanto, chega à reta final das eleições sustentada por três elementos políticos claramente identificáveis: a experiência de Andréa na área social, a estrutura política construída por Augusto Castro e a tentativa de ampliar a representação de Itabuna e do Sul da Bahia na Assembleia Legislativa.
O resultado eleitoral, naturalmente, dependerá da votação obtida por Andréa e da distribuição de votos entre os candidatos e partidos no pleito de 2026. O que já está colocado é que o projeto deixou de ser apenas uma pré-candidatura e se transformou em uma candidatura oficialmente registrada e em campanha, com presença pública e articulação regional.
Para Itabuna, a eleição também representa uma disputa por espaço político em Salvador: caso Andréa seja eleita, a cidade passaria a contar com uma representante diretamente ligada ao atual grupo político que administra o município, abrindo uma nova frente de articulação entre Prefeitura, Governo do Estado e Assembleia Legislativa.
