Augusto Cury condiciona apoio a Flávio Bolsonaro à assinatura de carta de compromisso com o povo brasileiro e a união pelo bem comum
Documento estabelece compromissos públicos com a educação, a saúde, a proteção às mulheres e o desenvolvimento do Brasil, colocando a responsabilidade com a população como eixo central do apoio político.
Documento apresentado pelo escritor reúne oito propostas para um eventual governo, com destaque para educação, saúde, segurança das mulheres, desenvolvimento econômico e pacificação política.
O escritor, psiquiatra e ex-candidato à Presidência da República Augusto Cury (Avante) declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno das eleições presidenciais de 2026. O anúncio foi feito na quinta-feira, 8 de outubro, após conversas entre os dois, e veio acompanhado de um documento intitulado Termo de Compromisso Público com o Brasil.
A iniciativa estabelece oito compromissos que Flávio Bolsonaro se comprometeu a defender em um eventual governo. O documento foi apresentado por Cury como uma forma de vincular seu apoio político a propostas concretas, ressaltando que a decisão não representa uma adesão incondicional ao candidato.
Segundo as reportagens publicadas pela Rádio Itatiaia, CNN Brasil e Folha de S.Paulo, o termo foi assinado por Flávio Bolsonaro e estabelece que o acordo não envolve troca de cargos ou vantagens pessoais. O texto também prevê que Cury mantenha a liberdade de cobrar, questionar e criticar o candidato caso considere necessário.
Uma aliança baseada em compromissos públicos
Augusto Cury terminou o primeiro turno em terceiro lugar, com aproximadamente 2,89% dos votos válidos, segundo os resultados divulgados pela imprensa. Seu apoio passou a integrar as articulações políticas para a segunda etapa da disputa presidencial.
Ao justificar a iniciativa, o documento destaca a necessidade de renovação política, alternância de poder e construção de um ambiente nacional menos marcado pela polarização. Cury também manifesta preocupação com o endividamento das famílias, a qualidade dos serviços públicos e os desafios econômicos e sociais do país.
A carta procura estabelecer uma relação entre o apoio eleitoral e a adoção de propostas específicas, deixando registrado que a confiança depositada no candidato deverá ser acompanhada de transparência, responsabilidade fiscal e respeito às instituições democráticas.
Os oito compromissos apresentados
O documento reúne propostas em diferentes áreas da administração pública:
1. Fim da reeleição presidencial: defesa de uma reforma constitucional para acabar com a possibilidade de reeleição do presidente da República, sob o argumento de fortalecer a alternância de poder.
2. Educação e valorização dos professores: expansão progressiva do ensino em tempo integral, melhores condições de trabalho para os educadores e inclusão de conteúdos como empreendedorismo, educação financeira, inteligência artificial e gestão das emoções.
3. Saúde e telemedicina: ampliação dos atendimentos a distância integrados ao Sistema Único de Saúde (SUS), com o objetivo de reduzir filas e facilitar o acesso a especialistas, especialmente em regiões afastadas.
4. Proteção às mulheres: utilização de tecnologias para prevenir e combater a violência, incluindo aplicativos com botão de pânico, além do fortalecimento de delegacias especializadas e serviços de acolhimento.
5. Cooperativismo: apoio às cooperativas e à ampliação da agregação de valor à produção, especialmente no setor agroindustrial.
6. Financiamento de microempresas: incentivo à concessão de crédito para pequenos empreendimentos, acompanhado de orientação técnica e iniciativas de formação empreendedora.
7. Agricultura e produção de alimentos: busca pela meta de dobrar a produção brasileira de alimentos em dez anos, com investimentos em tecnologia, irrigação sustentável, infraestrutura e crédito rural.
8. Pacificação nacional: compromisso de governar para brasileiros de diferentes correntes políticas, sem perseguições motivadas por divergências ideológicas, rancor ou ressentimento.
Educação, saúde e combate à violência no centro da proposta
Entre os pontos apresentados, a educação ocupa posição de destaque. A proposta prevê mudanças curriculares, valorização profissional e ampliação do ensino técnico, com a intenção de preparar os estudantes para as transformações tecnológicas e para as novas exigências do mercado de trabalho.
Na saúde, o documento aposta na telemedicina como instrumento para ampliar o acesso a consultas especializadas. A proposta, caso implementada, dependeria de planejamento, financiamento, infraestrutura tecnológica e integração com os serviços presenciais do SUS.
Outro eixo importante é a proteção às mulheres. A carta prevê o emprego de recursos tecnológicos para acelerar pedidos de socorro e fortalecer as redes de atendimento às vítimas de violência. Também menciona medidas de proteção, acompanhamento psicológico e estímulo à autonomia econômica feminina.
Na área econômica, o texto defende a ampliação do crédito para microempresas e o fortalecimento do cooperativismo. Para a agricultura, estabelece uma meta ambiciosa de crescimento da produção de alimentos, associada à inovação tecnológica e à responsabilidade ambiental.
“Não é um cheque em branco”
Um dos aspectos centrais do documento é a ressalva de que o apoio de Augusto Cury não deve ser interpretado como concordância automática com todas as decisões futuras de Flávio Bolsonaro.
A carta estabelece que o apoio estará condicionado à observância dos compromissos assumidos, à transparência e ao respeito às instituições democráticas. A ideia expressa no texto é que a confiança política não elimina o direito de fiscalização e de crítica.
O documento também reconhece que a execução das propostas deverá respeitar as competências constitucionais da Presidência da República, a responsabilidade fiscal e a participação do Congresso Nacional nas mudanças legislativas e constitucionais necessárias.
Esse ponto é relevante porque parte das propostas, como o fim da reeleição presidencial, exigiria tramitação legislativa e aprovação pelos mecanismos constitucionais apropriados. A assinatura do termo, por si só, não garante a implementação das medidas.
Um discurso de pacificação em meio à disputa eleitoral
A defesa da pacificação nacional é um dos elementos mais enfatizados na carta. O texto sustenta que questões como fome, desemprego, ansiedade, depressão e violência afetam pessoas de diferentes orientações políticas e não devem ser tratadas exclusivamente como bandeiras partidárias.
A proposta de governar para brasileiros de direita, esquerda, centro e para aqueles que não se identificam com nenhuma dessas correntes procura apresentar a iniciativa como um compromisso com o conjunto da sociedade.
Ao mesmo tempo, a adesão de Cury representa um movimento político importante na disputa pelo apoio dos eleitores que votaram em candidatos derrotados no primeiro turno. O peso eleitoral desse apoio dependerá, entre outros fatores, da disposição desses eleitores de acompanhar a decisão do ex-candidato.
Carta estabelece compromissos, mas execução dependerá de medidas concretas
A iniciativa de Augusto Cury e Flávio Bolsonaro introduz um documento público como referência para a cobrança de compromissos durante a campanha e, eventualmente, ao longo de um mandato presidencial.
A efetividade da proposta dependerá da transformação das intenções em políticas públicas, com metas verificáveis, recursos orçamentários, cronogramas e mecanismos de acompanhamento.
Mais do que a assinatura, o desafio será demonstrar como cada compromisso poderá ser executado, quais resultados serão esperados e de que maneira a sociedade poderá fiscalizar seu cumprimento.
A carta, portanto, funciona como um instrumento público de compromisso político. Seu significado definitivo dependerá da coerência entre as propostas apresentadas, as decisões adotadas e os resultados efetivamente alcançados.

