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Pancadinha trocou de lado, perdeu força nas urnas e agora enfrenta o desafio de reconquistar Itabuna

Por Redação

 



A mudança de posicionamento político, o rompimento com antigos aliados e a queda expressiva da votação colocam em discussão o futuro de Fabrício Pancadinha e sua relação com o eleitorado itabunense.

A política tem uma memória que nem sempre acompanha a velocidade das articulações partidárias. Em Itabuna, a trajetória recente de Fabrício Pancadinha tornou-se um exemplo de como mudanças de alianças podem abrir novas portas nos bastidores, mas também levantar questionamentos sobre coerência, lealdade e confiança popular.

Eleito deputado estadual em 2022 pelo Solidariedade, Pancadinha construiu sua projeção política em um campo de oposição ao grupo petista na Bahia. Em 2024, candidatou-se à Prefeitura de Itabuna com o apoio político de ACM Neto, apresentando-se como uma alternativa ao projeto de continuidade liderado pelo prefeito Augusto Castro.

A disputa municipal terminou com 29.620 votos para Pancadinha, contra 65.329 de Augusto Castro. Embora tenha demonstrado capacidade de mobilização, o resultado não foi suficiente para levá-lo à Prefeitura.

O episódio que mais alteraria sua trajetória, entretanto, viria depois da eleição municipal: o afastamento de ACM Neto e a aproximação com o grupo do governador Jerônimo Rodrigues, ligado ao PT.

Da oposição à base governista: o que mudou?

Em abril de 2025, a imprensa baiana noticiou a aproximação de Pancadinha com o governo estadual. Em abril de 2026, ele anunciou sua saída do Solidariedade e o ingresso no PDT, partido que já integrava a base governista baiana.

As movimentações foram públicas e documentadas. A interpretação política delas, porém, permanece aberta: para alguns observadores, podem representar pragmatismo e reorganização de alianças; para outros, levantam dúvidas sobre a continuidade dos compromissos assumidos diante do eleitorado.

É justamente nesse ponto que surge uma questão importante para a política de Itabuna: até que ponto um representante pode mudar de campo político sem comprometer a confiança de quem o apoiou em uma trajetória anterior?

Trocar de partido não significa, automaticamente, trair o eleitor. A política exige negociações, mudanças de cenário e, em determinadas circunstâncias, revisão de alianças. Mas mudanças dessa dimensão precisam ser explicadas com clareza, sobretudo quando alteram a relação de um representante com grupos que antes combatiam projetos políticos agora apoiados por ele.

A confiança pública não depende apenas da legenda estampada no material de campanha. Depende também da coerência percebida entre o discurso de ontem e as decisões de hoje.

As urnas apresentaram uma conta difícil

Se a mudança de posicionamento contribuiu para o resultado eleitoral de Pancadinha, não é possível determinar apenas pelos números. Mas a comparação das votações revela uma perda expressiva de apoio em sua principal base eleitoral.

Em 2022, quando disputou uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia, Pancadinha recebeu 27.338 votos em todo o estado, dos quais 23.531 vieram de Itabuna.

Em 2026, já pelo PDT, terminou a disputa estadual com 16.962 votos, ficando como suplente. Em Itabuna, obteve 10.164 votos.

A diferença municipal é particularmente significativa: foram 13.367 votos a menos em relação a 2022, uma redução de aproximadamente 56,8%.

Os números não provam que os eleitores tenham rejeitado Pancadinha exclusivamente por sua mudança de lado. As duas eleições ocorreram em contextos diferentes, e fatores como a atuação parlamentar, a força dos adversários, as alianças locais e a estrutura de campanha também precisam ser considerados.

Ainda assim, o resultado deixa uma pergunta incontornável: por que um político que conquistou uma votação tão concentrada em Itabuna não conseguiu preservar a mesma dimensão de apoio quatro anos depois?

Lealdade política também se mede pela confiança

A política não se sustenta apenas com fotografias ao lado de lideranças, acordos partidários ou presença em palanques. Existe uma relação de confiança entre o representante e quem deposita nele suas expectativas.

Quando um político constrói sua imagem em determinado campo e, posteriormente, passa a integrar o grupo que antes enfrentava, o eleitor tem o direito de pedir explicações. Não necessariamente porque a mudança seja proibida, mas porque o voto representa uma escolha baseada em propostas, discursos e compromissos percebidos durante a campanha.

Em Itabuna, a discussão sobre a trajetória de Pancadinha passa justamente por essa dimensão: a distância entre a identidade política apresentada anteriormente e o novo posicionamento adotado.

A questão da lealdade não deve ser tratada como uma sentença antecipada sobre suas intenções. É, antes, um debate sobre responsabilidade pública. O político pode mudar de estratégia, mas precisa demonstrar ao eleitor por que essa mudança atende ao interesse coletivo e não apenas às conveniências de uma nova composição de poder.

São Judas e São Pedro: a política continua nas ruas

A presença de lideranças políticas nos bairros faz parte da vida democrática. São Judas, São Pedro e outras comunidades de Itabuna são espaços onde os representantes podem ouvir moradores, acompanhar demandas e prestar contas de sua atuação.

Relatos sobre Pancadinha circulando por esses bairros, entretanto, precisam ser contextualizados. Caminhar pelas ruas não significa, por si só, estar sem rumo político. Da mesma forma, a presença de um político em comunidades populares não comprova que ele tenha recuperado sua força eleitoral.

O que merece atenção é o desafio de reconstruir uma relação duradoura com a população depois de uma derrota expressiva. Se existe uma distância entre Pancadinha e parte de seu antigo eleitorado, ela precisará ser enfrentada com diálogo, prestação de contas e posicionamentos compreensíveis.

A política de bairro é feita de relações próximas. O eleitor encontra o representante, cobra compromissos e compara o que foi prometido com aquilo que efetivamente aconteceu. Nesse ambiente, a memória das alianças e das declarações pode ter um peso tão importante quanto as articulações realizadas na capital.

Um futuro político que dependerá de respostas

Fabrício Pancadinha construiu uma trajetória rápida: saiu da eleição para vereador em 2020, conquistou uma vaga na Assembleia em 2022 e chegou à disputa pela Prefeitura de Itabuna em 2024 com quase 30 mil votos. Em 2026, porém, não conseguiu renovar o mandato estadual.

O contraste entre a ascensão e o resultado mais recente evidencia a necessidade de compreender o que mudou em sua relação com o eleitorado. A mudança de partido e de alianças é uma hipótese relevante nessa análise, mas não deve ser apresentada como a única causa da derrota.

Sem a renovação do mandato, o desafio passa a ser reorganizar seu grupo político e definir como pretende continuar participando da vida pública de Itabuna.

Mais do que escolher uma nova legenda ou aparecer novamente em caminhadas, o caminho para reconstruir confiança exige responder a perguntas concretas: quais compromissos permanecem? O que motivou a mudança de campo político? Como o mandato foi utilizado para atender às demandas da população? E qual projeto Pancadinha pretende defender daqui para frente?

As urnas de 2026 não encerram sua trajetória política. Mas oferecem um sinal claro de que os resultados anteriores não garantem apoio permanente.

Na política, alianças podem mudar. O que não se negocia sem consequências é a confiança do eleitor. Reconquistá-la exige mais do que presença nas ruas: exige coerência, transparência e resultados.

Fontes consultadas: Assembleia Legislativa da Bahia, BNews, Pimenta Blog e registros eleitorais compilados a partir de dados do TSE.

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