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SALVADOR ENCOLHE: CAPITAL BAIANA REGISTRA A MAIOR PERDA POPULACIONAL ENTRE AS CAPITAIS E ACENDE ALERTA SOBRE MIGRAÇÃO E QUEDA DE NASCIMENTOS

Por Redação

Mais de 257 mil moradores a menos em 12 anos. Bairros tradicionais perdem habitantes, enquanto municípios da Região Metropolitana crescem e a redução da natalidade transforma o futuro da capital.

Salvador enfrenta uma das mais importantes transformações demográficas de sua história recente. A capital baiana registrou a maior perda populacional absoluta entre as capitais brasileiras no intervalo entre os Censos Demográficos de 2010 e 2022, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A população passou de 2.675.656 habitantes, em 2010, para 2.417.678 em 2022. Isso representa uma redução de aproximadamente 258 mil moradores, equivalente a 9,6% da população.

O fenômeno chama atenção não apenas pelo tamanho da perda, mas também pelas mudanças no comportamento das famílias, pela redução dos nascimentos e pelo deslocamento de moradores para outros municípios.

BAIRROS TRADICIONAIS ESTÃO PERDENDO MORADORES

A diminuição populacional não acontece de maneira uniforme. Enquanto determinadas regiões continuam crescendo, bairros históricos e tradicionais apresentam perdas expressivas de habitantes.

Entre 2010 e 2022, Fazenda Grande do Retiro perdeu aproximadamente 12,7 mil moradores. Pernambués e Beiru/Tancredo Neves também registraram reduções próximas de 12 mil habitantes cada.

São Caetano e Brotas aparecem entre os bairros que também tiveram perdas significativas.

Juntos, esses cinco bairros deixaram de contabilizar cerca de 58 mil moradores no período.

Por outro lado, regiões como Patamares, Areia Branca, Nova Esperança e Piatã apresentaram crescimento populacional, demonstrando uma mudança na distribuição dos habitantes dentro da própria capital.

NASCIMENTOS ATINGEM MENOR PATAMAR EM CINCO DÉCADAS

Outro indicador preocupante é a redução da natalidade.

Segundo levantamento publicado pela BNews em 1º de novembro de 2026, Salvador acumulou sete anos consecutivos de queda no número de nascimentos.

Em 2024, foram registrados 23.361 nascidos vivos, o menor resultado em 50 anos da série histórica mencionada pela reportagem.

O crescimento vegetativo, que corresponde à diferença entre nascimentos e mortes, também sofreu uma redução expressiva.

Em 2010, o saldo era de 19.791 pessoas. Em 2024, caiu para apenas 5.481.

A tendência acompanha uma transformação observada em diversas cidades brasileiras: famílias menores, adiamento da maternidade e paternidade, mudanças econômicas e maior participação feminina no mercado de trabalho.

PARA ONDE ESTÃO INDO OS SOTEROPOLITANOS?

Uma parte importante da explicação está na migração.

Municípios da Região Metropolitana de Salvador passaram a atrair moradores que procuram alternativas de moradia, custo de vida e oportunidades.

Entre 2010 e 2022, Camaçari registrou crescimento populacional de aproximadamente 23,6%, enquanto Lauro de Freitas avançou 24,4%.

Os números indicam uma redistribuição populacional dentro da região metropolitana, embora não signifiquem que todos os novos moradores desses municípios tenham vindo de Salvador.

A expansão urbana, a oferta de novos empreendimentos imobiliários e a busca por melhores condições de moradia ajudam a explicar esse movimento.

IMPACTOS NA ECONOMIA E NO FUTURO DA CAPITAL

A redução populacional pode produzir consequências importantes para o planejamento de Salvador.

Com menos moradores em determinadas regiões, o comércio de bairro pode perder consumidores, imóveis podem permanecer desocupados e equipamentos públicos podem precisar de reorganização.

Outro desafio está relacionado ao envelhecimento da população. Com menos crianças nascendo e uma proporção crescente de pessoas idosas, a cidade precisará adaptar suas políticas de saúde, assistência social, mobilidade e infraestrutura.

Também existe uma questão econômica: a perda de população pode afetar a arrecadação, o mercado imobiliário e a distribuição de recursos públicos, dependendo da dinâmica econômica e dos critérios de transferência de verbas.

UMA CAPITAL QUE PRECISA REPENSAR SEU FUTURO

Salvador continua sendo um dos principais centros culturais, turísticos e econômicos do Nordeste. Entretanto, os números demográficos mostram que sua dinâmica urbana está mudando.

A questão não é apenas quantos habitantes a cidade perdeu, mas por que tantas pessoas estão buscando outros lugares para viver e quais condições poderiam tornar a capital novamente mais atrativa para seus próprios moradores.

O desafio para os próximos anos será transformar esse diagnóstico em políticas públicas capazes de recuperar a vitalidade dos bairros, estimular oportunidades econômicas e melhorar a qualidade de vida da população.

Salvador não está perdendo apenas habitantes. Está passando por uma transformação que exige respostas sobre moradia, emprego, desenvolvimento urbano e qualidade de vida.

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